Minha História Pessoal
Mário Buono

«HISTÓRIA DA MINHA VIDA»

MÁRIO BUONO

Eu Mário Buono, filho de Luis Buono e Rosa Maria Beluco Buono, nasci em 19 de abril de 1934 em São Paulo, Brasil, no bairro do Bom Retiro, na rua Três Rios, mas passei a minha infância na rua Sérgio Tomás, no Bom Retiro. É de lá que tenho minhas primeiras lembranças na memória. Eu tinha uma família muito grande de 13 irmãos, que foram: Carlos, Emília, Eduardo, Valdemar, Edgar, Leonor, Fernando, Jandira, Mário e Ivone. Outros três irmãos foram natimortos.

ROSINA (ROSA) MARIA BELUCO

 Minha mãe Rosa Maria Beluco Buono, quando ainda era jovem conheceu meu pai, que era recém-chegado da Itália. Meu pai devia ser muito atraente porque gostava de dançar e apreciava a música, o teatro e tinha um bom ofício de era marceneiro, que naquela época tinha muito valor.

A família de minha mãe era de classe média, de uma família tradicional no bairro do Bom Retiro. Conta-se que o casamento foi de muito valor, porque ela foi levada para a igreja em uma carruagem com 2 cavalos brancos e todos enfeitados. Acho que foi um casamento muito bonito. Minha mãe era muito bonita e bondosa, e eu acredito que nos seus primeiros anos de casada ela devia estar sempre grávida, porque gerou 13 filhos, mas amava a todos. A foto acima deve ser quando ela tinha 15 ou 16 anos, ela tinha 16 anos e meu pai 21 anos quando se casaram em 1913.

Nas fotos a seguir estão Ferdinando Beluco e Virgínia Garolla, meus avós maternos, que foram enterrados no Cemitério do Araçá, em São Paulo.

         FERDINANDO BELUCO                       VIRGÍNIA GAROLLA

A foto ABAIXO é do meu pai Luis Buono, nessa foto ele já tinha uma idade mais avançada. Meu pai tinha um bom oficio de marceneiro e só trabalhava com móveis finos e de bom acabamento, ganhando 2 mil réis por hora. Mas em 1929 começou a faltar empregos e havia falta de serviço, e com isso ele passou a ganhar 2 mil réis por dia e a família começou a passar necessidade. Então meu pai foi para a Argentina para ver se lá estava melhor para se viver mas, quando ele voltou, estava bem desanimado dizendo para minha mãe que lá não tinha serviço e estava difícil também para viver. Isso aconteceu antes de eu nascer, de maneira que ele voltou a trabalhar aqui no Brasil.

LUIS Buono

Quando os judeus chegaram e começaram a fazer móveis mais baratos e de qualidade inferior, e ele teve que se ajeitar para não passar fome e isso foi muito duro para nossa família. Quando eu nasci em 1934 a situação estava assim, e durante a minha infância éramos uma família muito pobre. Para piorar a vida, em 1939 começou a 2ª Guerra Mundial, ai é que a coisa piorou mais, faltavam alimentos e o pão era um filão para cada família.

À noite tínhamos que fechar as cortinas para escurecer as janelas. Era uma ordem para todos, por causa dos aviões que cruzavam os céus e isso era para nos proteger. Mas naquele tempo de guerra as noticias eram escassas e como meu pai falava espanhol, ligava o rádio para saber as notícias através das estações em espanhol dos países estrangeiros, para saber mais notícias sobre a guerra. Tínhamos então que ficar em silêncio para ele poder ouvir as notícias da guerra.

Tenho poucas lembranças de meu pai, que morreu quando eu tinha 11 anos. Lembro-me dele já uma pessoa doente, e as poucas vezes que eu falava com ele era para pedir uns trocados quando eu ia para escola, para comprar sorvete de groselha.

Eu gostaria de escrever mais algumas coisas sobre meu pai, mas eu não o conheci muito bem eu só quero dizer que eu o amo e também eu amo minha mãe, eles me deram a vida, e se hoje estou escrevendo estas poucas palavras eu devo a eles pela educação e pelos talentos que passaram para mim.

A Genealogia da família Buono é a seguinte, a partir do meu neto André Buono Silveira, filho de Marisa Buono Silveira, filha de Mário Buono que é filho de Luis Buono, que é filho de Carlo Salvatore Buono, que é filho de Giusepe Buono, que é filho de Carmine Buono, que é filho de Pasquale Buono e que é filho de Carmine Buono, esta genealogia ainda vai mais adiante.

Volto a falar sobre a minha infância. Quando tinha talvez 6 anos de idade minha irmã Emília namorava o Antônio Florence, e ele iria nos levar dar um passeio de carro. Eu fiquei todo animado e tomei um banho, coloquei minha melhor roupa e esperei. E deu 7 horas e deu 9 horas, até que eu peguei no sono e só no dia seguinte fui saber que eles foram passear e eu não!  

A casa alugada em que nós morávamos ficava na rua Sérgio Tomás, no Bom Retiro e o dono era um italiano chamado Roque. Ele tinha 2 casas e também um terreno muito grande. Nesse terreno existiam várias árvores de fruta, e no fundo havia uma cocheira onde ele tinha várias cabras que davam leite, e eu mesmo tomei muito leite de cabra. Várias vezes eu ajudava a plantar o milho, abrindo as covas para ele colocar as sementes e assim tivemos muito milho para comer.

Em 1939 quando começou a 2ª Guerra Mundial, para muitas famílias foi bem triste porque muitos jovens que foram para a guerra morreram em combate. Nós não tínhamos guerra em nosso país, mas faltava farinha e o pão era vendido somente um para cada pessoa. Eu e meus irmãos já estávamos na fila às 5 horas da manhã para comprar os pães.

Em 1943 meu irmão Eduardo ficou doente dos pulmões e naquele tempo não tinha antibiótico, ou penicilina. Ele foi piorando a cada dia ate que um dia foi levado para Campos do Jordão, porque era um clima frio e era onde se tratavam os que tinham a doença dos pulmões.

E então não demorou muito para meus pais receberem a notícia de sua morte, foi muito triste, ele tinha apenas 23 anos. Foi assim que, com 7 anos, perdi um irmão muito querido.

Mario e sua irmã Ivone aos 12 anos

Na rua onde morávamos era muito perto do rio Tiete. Nos meses de dezembro e janeiro chovia muito e então tínhamos enchentes, nossa rua e nosso quintal ficavam com 1 metro de água, mas a casa era mais alta e tínhamos vários cavaletes e tábuas no quintal para fazer um caminho para entrar em casa. Meus irmãos e irmãs tinham que sair de casa com os pés dentro da água para ir para o trabalho, levando os sapatos nas mãos até um local seco e então calçavam os sapatos. Para min era um prato cheio, porque eu me divertia muito pescando, andando de barco, fazendo jangada, matando cobras, e colocando cigarros na boca dos sapos só para ver eles fumarem. Já estava com 7 ou 8 anos de idade e meu pai pescava no rio TIETE à noite. Eu sempre pedia a ele para me levar até que uma noite eu fui com ele pescar, quando voltamos com os peixes eu ajudei a limpá-los para o almoço do dia seguinte. Que orgulho!

Eu já estava com 9 anos quando entrei na escola, no Grupo Escolar Marechal Deodoro, na Rua Anhaia, no bairro do Bom Retiro. Já estava um bom tempo estudando quando uma equipe médica visitou a Escola, e todos os alunos foram examinados. Minha mãe recebeu uma intimação para me levar a um hospital porque eu tinha que operar as amígdalas. Marcado o dia, minha mãe levou-me ao hospital, onde fui conduzido para uma sala e lá me enfaixaram com um lençol branco. Quando dois médicos entraram na sala um deles perguntou qual time eu era, e prontamente respondi: “Eu sou corintiano!”. Ai ele chegou perto de mim e falou: “Abra a boca” e quando eu abri a boca ele estava com um alicate de cortar na mão e a frio, sem anestesia, ele cortou as duas amidalas. Meu único consolo foi que para curar a garganta eu tinha que tomar muito sorvete.

Era o ano de 1945 quando meu pai faleceu, e minha mãe teve que criar e cuidar de todos os filhos menores, Mário, Jandira e Ivone. Já nestes tempos o Carlos e a Emília já estavam casados. Com 11 anos eu queria um serviço, então fui trabalhar em uma fábrica de cabides, mas não gostei. Fui trabalhar depois com meu irmão Carlos para fazer bolsas de mulher, e também não me dei bem. Fui então trabalhar em uma malharia, e nesta fabrica de malhas estava indo bem, mas eu era um moleque travesso, e aprendi com os empregados mais antigos a falar alguns palavrões em hebraico, e um belo dia o dono da malharia me chamou a atenção e eu soltei um palavrão em hebraico que eu conhecia. O judeu ficou uma fera comigo e mandou-me embora na mesma hora.

Mas nos tínhamos um vizinho que era tapeceiro de carro, e ele falava com minha mãe para que eu aprendesse o ofício de funileiro de carro. E foi o que aconteceu, ele me levou para trabalhar em uma oficina de funilaria. Como eu ia de carro com ele e seus filhos, então quando voltávamos para casa eles paravam em vários botecos, para beber caipirinha, ou seja, pinga com limão. Mas minha mãe ficou muito brava e eu saí deste emprego, porque eu estava acompanhando eles na bebida.

Nesse tempo meus irmãos Edgar e Fernando montaram uma fundição de alumínio nos fundos de nossa casa. O empreendimento começou muito bem, eles trabalhavam bastante mas quando eram 6 horas o Edgar queria parar, para ir ao barzinho tomar uns aperitivos, para depois tomar um banho e jantar. Mas o Fernando queria trabalhar até a noite, e ai começou a encrenca ou a briga, e assim a fundição fechou e eu voltei para a funilaria.

Já estávamos em 1946 e eu era um garoto esperto, logo fui aprendendo o oficio de funileiro, e não parava muito tempo em cada oficina. Minha mãe ficava preocupada quando eu dizia a ela que ia trocar ou mudar de oficina, mas nestes tempos eu já era um meio oficial de funileiro. Havia muita procura nas oficinas, assim eu não ficava parado nem um dia e ia me aperfeiçoando constantemente. Já comecei a ganhar um bom dinheiro, e o primeiro presente que eu dei para a minha mãe foi um guarda-roupa de 4 portas com espelho em uma das portas. Eu mesmo passei a comprar roupas boas para passear e para trabalhar, pois o oficio de funileiro foi muito bom para mim porque eu era muito independente. Quando tinha 16 anos soube que as oficinas davam aos funileiros 50 por cento do preço total do serviço.

Nesta parte da história, quando eu estava com 17 anos, tive o desejo de aprender um pouco de música e também a cantar, acompanhado por um piano, então arrumei uma professora de piano e canto.

Comecei a ter as aulas de piano e também ensaiava a cantar algumas músicas e estava começando a tocar várias melodias. Um dia eu estava tocando as músicas que eu já conhecia e estava na sala um homem amigo da professora, que perguntou para mim qual era o meu oficio eu disse a ele que era funileiro então ele disse que isso explicava porque eu estava martelando o piano: Tinha a mão muito pesada…

Fiquei uns 2 anos estudando música e canto, mas com o passar dos tempos já estava namorando a Vandelisse e estava querendo casar, e acabei abandonando os estudos de música.  

Com passar do tempo eu já estava bastante conhecido como funileiro, e um pintor chamado Armando tinha uma grande oficina na Barra Funda, na Rua do Bosque. Ele então me ofereceu a parte de funilaria, e aí meu irmão Fernando, que trabalhava com fundição e estava achando que não era um bom oficio, queria mudar de serviço. Minha mãe falava para mim se eu podia ensinar o ofício de funileiro para o Fernando. Ele já tinha 22 anos e eu 18 anos quando veio trabalhar comigo. No começo foi muito bom e eu ofereci a sociedade para ele, tínhamos bastante serviço. Quando os donos dos carros queriam tratar os serviços sempre preferiam falar com o Fernando, porque eu tinha a aparência muito jovem e eles não confiavam em mim. Assim o Fernando tratava com os donos dos carros, mas quem dava o preço era eu, e ficamos um bom tempo nesta oficina.

O Fernando insistia que tínhamos que trabalhar aos sábados o dia inteiro e eu não aceitava, porque eu queria jogar futebol no sábado a tarde e me aprontar para os bailes da noite e namorar. Sendo assim foi se tornando cada vez pior o nosso trabalho , e ele não era maleável, mas sim bem turrão. Neste tempo nos tínhamos um bom dinheiro em caixa, e então eu fiz um acordo com ele e assim acabou a sociedade. Fernando ficou com a oficina e eu fui trabalhar em outro lugar. Eu não ficava parado, porque sempre tinha serviço para fazer em alguma oficina de amigos. Já com 20 anos, de maneira que em 1954 comecei a pensar em me casar.

Nosso casamento em 3 de novembro de 1955 em uma igreja católica na Barra Funda

Família Buono: Mário, Vandelisse, Marisa e Márcia

A Vandelisse era minha namorada e assim fui me preparando para o casamento. Mandei fazer um dormitório para um quarto porque nós íamos morar com a minha sogra, d. Virgínia Garolla, em um quarto da casa deles. E assim, em 3 de Novembro de 1955, casamos em uma igreja católica, tivemos uma pequena festinha na casa dos pais da Vandelisse e logo viajamos para a cidade de Itanhaém em lua de mel.

Viajamos de ônibus e naquele tempo não tinha ônibus direto para Itanhaém, assim passamos a primeira noite em Santos , e no dia seguinte tomamos um pequeno ônibus que andava pela praia porque não havia estrada e depois de mais de uma hora chegamos em Itanhaém e nos hospedamos na praia do Sonho em uma pensão que ficava direto na praia era bem primitivo o local. Realmente passamos momentos muito felizes e na pequena cidade de Itanhaém senti o desejo de morar no litoral mas só ficou no desejo. Passamos dias de muitos planos e objetivos sobre como viver felizes. Mas eu tinha um temperamento muito forte e assim tivemos que nos adaptar e nos conhecer melhor a cada dia.

Logo Vandelisse ficou grávida e sua gravidez foi tranquila. Neste tempo eu estava trabalhando em Santana, em frente à penitenciaria ou a cadeia de São Paulo na avenida Cruzeiro do Sul, quando meu sogro, seu Antonio apareceu na oficina, que era para ir correndo para casa, que tinha chegado a hora do bebê nascer. Pegamos uma carona para casa com o tempo exato da Vandelisse se arrumar e levar as roupas do bebe para o hospital. Chamei um taxi e fomos para o hospital do Brás, na rua 21 de abril. Estou lembrado que a Vandelisse ia ter um parto normal e assim ela passou a noite toda com as dores de parto ,mas quando foi pela manhã a Marisa veio ao mundo no dia 13 de maio de 1957 com mais de 3 quilos, para a alegria dos pais e dos avós. Naturalmente nós chegamos ao hospital em 2 e saímos em 3. Mas aquele foi um tempo difícil para a Vandelisse porque ela sofreu uma inflamação nos seios e não podia dar de mamar para o nenê e foi muito sofrimento para ela. Passada aquela fase ela melhorou da inflamação mas a Marisa ficou só na mamadeira porem ela cresceu forte e saudável. Nestes tempos eu e um irmão resolvemos comprar um terreno na Vila Santa Maria e este meu irmão Valdemar começou a fazer nos fundos um pequeno quarto e cozinha e conseguiu a luz emprestada, eu também ajudei na construção e ele logo se mudou para sua casa. Fizemos um poço para termos água e então eu comecei a fazer a minha própria casa. No fim da semana, quando já estava coberta, resolvi mudar para a casa, mas não estava terminada e faltavam muitas coisas. Após termos passado muitas necessidade, resolvemos vender a nossa parte. Prontamente este meu irmão comprou a minha parte e assim nos mudamos para a Casa Verde em uma rua chamada Samanbaia onde ficamos pouco tempo, e logo mudamos para uma casa na rua Onda Verde, no mesmo bairro da Casa Verde.

Vandelisse era muito prestimosa e logo aprendeu a cuidar do lar em todos os sentidos, tanto na cozinha como no cuidado da casa e também da filha. Nesta época fizemos uma viagem para Minas Gerais, na cidade de Silvianópolis onde nasceu a Vandelisse. Conhecemos então os parentes dela, que foram muito simpáticos e nos receberam muito bem. A prima da Vandelisse, chamada Evangelina, foi quem nos levou para aquela cidade, por não sabermos como chegar nas residências dos nossos parentes.

Logo após este passeio a Vandelisse ficou gravida outra vez e nesta vez ela ficou apavorada por causa das dores que tinha passado na outra gravidez mas tudo deu certo e em 30 de Junho de 1960, também de um parto natural, nasceu a Márcia com quase 4 quilos, uma menina muito linda. Como ela nasceu em casa eu fui o primeiro a trocar a fralda dela e como ela chorava muito, Vandelisse só ficou na cama uma noite já no dia seguinte já estava de pé cuidando da filha recém-nascida .

Nesta parte da minha historia nós fomos passear em Campo Limpo Paulista, perto de Jundiaí e eu lembro que a Vandelisse estava grávida da Marisa, talvez de uns 8 meses e no local em que estávamos era a beira de um lago, e neste local havia varias árvores de pêra mas elas estavam muito altas. Então subi na arvore para apanhar as peras, e a Vandelisse ficou embaixo da arvore esperando eu jogar as peras. Porém tinha por perto uma vaca pastando, que de repente começou se aproximar porque ela também queria comer as pêras. A Vandelisse ficou apavorada porque a vaca vinha para o lado dela e eu lá de cima tentava espantar o bicho, ao mesmo tempo em que descia da árvore, mas quando chequei ao chão a Vandelisse já estava longe…

Lá nós compramos 2 mil metros de terreno, e meu irmão Carlos também comprou, bem como minha irmã LEONOR. Meu irmão logo começou a construir a sua casa e neste tempo eu ainda não estava bom das finanças. Portanto a única benfeitoria que eu fiz foi montar a cerca em volta do terreno. Como havia muitas árvore de eucalipto, só compramos o arame para fechar o terreno.

Já tinha passado uns dois ou três anos quando eu comecei a me animar em fazer alguma coisa naquele terreno, e falando com meu irmão Carlos ele se propôs a me orientar na obra. Assim comecei a cavar os buracos do alicerce com as devidas medidas e este meu irmão vinha sempre fiscalizar o serviço e verificar as medidas, até que ficou pronto.

Assim começamos a assentar os tijolos do alicerce, até quando estava numa altura de um metro e então ele passou a fazer somente os cantos da casa. Devo dizer que eu já tinha comprado três mil tijolos. Meu irmão que ficava em Campo Limpo somente aos sábados e eu ficava no domingo, quando eu completava o resto das paredes, até a altura que ele tinha deixado. Quando terminava era só recolher as ferramentas, tomar um banho e irmos embora . Tínhamos o horário certo para voltar para a estação do trem. Neste tempo nós andávamos de trem e de ônibus, mas foram tempos felizes, pois Marisa e Márcia estavam fortes e bem crescidas.

Vandelisse tinha boa saúde e cuidava muito bem das filhas e da família. Ela sempre procurava aprender a cozinhar coisas novas ela se tornou uma boa cozinheira e era muito limpinha e muito econômica, como uma boa mineira. E assim meu irmão foi levantando as paredes até chegar no respaldo da casa e então ele me falou: “Agora é por sua conta”. Quer dizer, fazer o telhado. Como o dinheiro era curto a ideia era aproveitar as árvores de eucalipto que eu tinha no terreno. Comecei a tirar as medidas e com um bom machado fui cortando a madeira para o telhado. Não podia colocar madeira verde, porque elas iriam entortar, e assim eu as deixava secar por uns 15 dias. Comprei 500 telhas e aos pouco fui preparando o telhado. Naturalmente tive que comprar as ripas e ao terminar o telhado coloquei as janelas, os vitrôs e as portas.

Como não tínhamos luz nem água então a primeira coisa que mandei fazer foi o poço, que por sinal deu 20 metros de profundidade. O local era muito montanhoso, então arrumei uma caminhonete e levei alguns móveis para a nossa casa e começamos a passar os fins de semanas sem luz. Tínhamos 2 pequenos lampiões e então assim que a noite chegava jantávamos e logo as meninas dormiam cansadas das brincadeiras do dia, mas o que elas gostavam mais era pentear os cabelos vermelhos das espigas de milho do qual eu tinha feito uma plantação. Passamos um bom tempo naquela situação, mas com o tempo compramos o poste de luz e a caixa para o relógio de luz na nossa casa de campo.

Neste tempo a Marisa já estava na pré-escola, em uma escola de freiras, mas nestes tempos nós mudamos para mais perto do centro da Casa Verde na rua Antenor Guirlanda e a escola da Marisa ficava na rua Saguairú a três quadras de nossa casa .

Aqui eu quero fazer uma pausa e recontar um pouco de minha família. Meu pai eu o conheci já praticamente doente mas mesmo assim ele tinha a autoridade de um pai e muito severo, e os filhos sempre foram obedientes, os pagamentos que recebiam sempre foram direto para o meu pai. Até quando eles completassem 18 anos então ele fazia um acordo com os filhos: eles davam a metade do ordenado ao meu pai e a outra metade era para comprar sapatos, roupas, para tudo que necessitavam . Nós éramos uma família muito pobre, mas todos trabalhavam e foram sempre muito honestos. Não tive lembrança do casamento de meu irmão Carlos mas me lembro quando a Emília ainda era solteira e lembro do seu casamento com o Antonio Florence. A festa dela foi feito na rua José Paulino no Bom Retiro e ela foi morar na rua dos Italianos. Naqueles tempos tínhamos os bondes que passavam em frente à casa dela , eu estou lembrado que nós pagávamos os bondes a 20 centavos a passagem.

 Com a morte de meu pai então tivemos alguns problemas, pois minha mãe não tinha a autoridade como meu pai, e meus irmãos então começaram a ter certas atitudes diferentes porque minha mãe era muito bondosa ,mas ela tinha um grande amor por todos mesmo tendo pouca autoridade. Ela foi encaminhando os filhos a formarem suas próprias famílias , e assim foram se casando todos meus irmãos e eu comecei a ter muitos sobrinhos e sobrinhas e assim a família foi aumentando. O fato de ser o ultimo dos homens eu tinha uma sobrinha quase da minha idade porque o meu irmão Carlos tinha 20 anos quando eu nasci. Então quando nasceram os filhos dele eu devia ter uns 2 ou 3 anos de idade. Eu me lembro da esposa dele que era a Ninfa Benati Buono, era uma bondade de pessoa, tenho uma boa lembrança de minha cunhada que foi uma mulher especial. Mesmo quando eu fiquei viúvo com mais de 60 anos ela ainda vivia com mais de 80 anos e foi a última visita que eu fiz a ela, depois de uns tempos eu soube que ela havia falecido. Lembro-me do casamento de minha irmã Emilia com o Antonio quando eles foram morar na rua dos Italianos.

Como minha mãe tinha muitos filhos pequenos eu fui morar com minha irmã Emília, mas foi por pouco tempo, ainda assim eu ajudava ela nos serviços que ela fazia em casa, que eram carteiras de couro. Então por uns tempos também fui morar com o meu tio João e minha tia Maria, eles eram evangélicos e eram uma bondade também, fiquei por pouco tempo com. Ao ver como eles viviam, não brigavam, não falavam alto e eram muito mansos em lidar com os filhos foi um bom exemplo para mim.

Minha mãe tinha uma família muito grande, e minha avó Virginia várias vezes vinha nos visitar, ela era minha avó materna mas eu me lembro que ela ficava triste ao ver a nossa pobreza, o marido dele era meu avô Fernando Beluco, que eu não conheci, já era falecido. Naquele tempo em nossa casa não tínhamos luxo, nossas camas eram todas com palha de milho e naqueles tempos para dormir só se lavava os pés no chuveiro de água fria .

Mas para mim, que era um garoto, tudo estava bem, eu era feliz, vivia na rua, brincava, jogava bola, pescava, rodava pião, tinha uma cachorra que chamava Diana. Estou lembrado quando ela foi atropelada por um carro e ela quebrou uma perna, então eu coloquei uns pedaços de taquara na perna e enfaixei, então ela ficou um bom tempo com aquela perna enfaixada e assim ela foi melhorando. Eu também tinha pipa ou papagaio que eu mesmo fazia, e naquele tempo as crianças tinham muito piolho então minha mãe me levava no barbeiro e mandava cortar todo o cabelo ou careca. Eu também arrumava algumas brigas com os moleques vizinhos da minha rua e sempre que podia eu defendia as minhas irmãs contra as meninas vizinhas, porem só erámos em três eu Jandira e Ivone, os irmãos menores, os outros irmãos todos trabalhavam.

Recordo-me que ao lado de nossa casa tinha um terreno muito grande que era todo plantado de capim para os cavalos e no fundo tinha uma cocheira, e quando era o fim do dia aquelas carroças vinham chegando porque eram de aluguel e eles vinham guardar as carroças e os cavalos para passar a noite porem eu nunca tive a curiosidade para entrar naquela cocheira.

Eu andava mais era na cocheira do seu Benedito porque lá dava para brincar bastante e lá não tinha cavalos, mas sim vacas. E outra coisa que me interessava era a filha do seu Benedito que eu gostava muito, e assim foi passando o tempo, porque tínhamos tempo para tudo. Quando era dezembro e janeiro tínhamos as enchentes, mas já nestes tempos eu tinha a escola e eu estudava à tarde.

Um dia quando cheguei da escola, guardei minha mala, troquei de roupa e já fui para os locais de enchentes e estava um grupinho de amigos todos garotos , e quando eu cheguei eu vi um jovem de uns 20 anos e estava com um barco pequeno que cabia só 2 pessoas. Quando eu chequei os garotos me enganaram, dizendo a mim que todos tinham andado naquele barco , e eu então muito orgulhoso disse: “Vocês andaram eu também ando!”, e subi no barco e saímos para andar, mas no passeio de barco o jovem dono do barco me falou que ninguém tinha andado e então na volta todos queriam andar no barco.

Então tínhamos também o tempo das pipas que bolávamos, algumas quadrados ou retangulares para aproveitar a época de vento. Também haviam as festas juninas e naqueles dias tinha muitas fogueiras e os dias de São João, Santo Antônio , São Pedro e assim nós passávamos todo aquele mês de julho nos divertindo. Fazíamos umas lanternas de uma lata de óleo de cozinha, onde enchia com serragem e depois colocávamos fogo e as lanternas tinham um cabo de arame para poder girar e assim avivar o fogo. Também tínhamos os piões que nós rodávamos com uma pequena cordinha, eu nunca fui muito bom nesta brincadeira. Também havia uma brincadeira que era muito trabalhosa, era feita com o caroço de jatobá que nós fazíamos para fazer um anel, como ele era uma bola nós raspávamos os 2 lados ate ele ficar chato ai então furávamos o meio até que o buraco fosse bastante largo para caber no dedo.

Já naquele tempo alguns garotos apanhavam pequenos tocos de cigarros e começavam a fumar, eu também quis acompanhar e tentei uma ou duas vezes mas não gostei e assim nunca mais tentei fumar.

Tínhamos o rio Tietê perto de casa e também era o nosso local de diversão em nadar e pescar ou andar de barco, mas eu tinha uma falha: eu não aquentava nadar 10 metros e já ficava esgotado. Depois, com 40 anos, descobri a razão: eu tinha um defeito no coração, mas aquilo não me atrapalhou em nada, eu jogava futebol, corria e fazia de tudo. Então eu sempre que entrava na água ficava na parte mais rasa, porém era triste ver os amigos nadarem como peixes e eu só ficava olhando, mas para compensar eu era bom no futebol, na bola de gude, eu tinha as minhas qualidades. Mas aquela infância gostosa foi passando eu já estava na escola e comecei a estudar para que eu fosse o orgulho da família e realmente o que aconteceu foi o único da família que recebeu um diploma do grupo escolar. Fiquei famoso, meu nome era falado por toda a família, pois nós não tínhamos uma formação de estudo na família e eu não estudei mais, o que foi lamentável, depois mais para frente é que eu senti a falta de ter parado de estudar.

Eu lembro que minha mãe tinha umas galinhas no porão da casa onde morávamos e as galinha botavam ovos naquele porão e também eram recolhidas todas as noites, mas quem tinha que recolher os ovos era eu, porque era o mais pequeno. Porém o porão estava cheio de piolho de galinha e eu entrava para buscar o ovos, tinha que entrar só de cueca para apanhar todos e quando saia, forrado de piolho de galinha, ia direto para o chuveiro.

Naquele tempo foi que se ouviu falar sobre a pizza, foi uma novidade e todos que tinham comido falavam bem e como era gostosa. Mas o único lugar em que se comia a tal da pizza era no centro da cidade na rua Líbero Badaró. E um belo dia fomos nós numa boa turma da família para saborear a pizza, e nem sentamos para comer, era vendido aos pedaços no bar porque não era um restaurante e assim viemos a conhecer a famosa pizza italiana .

Naquele tempo a musica italiana era muito tocada nas rádios e era muito popular, as óperas eram muito cantadas e eu tinha alguns irmãos que tinham boa voz e então fazíamos alguns duetos ou mesmo quartetos. Eu como era o mais pequeno e tinha a voz mais fina eu entrava como tenor, foi uma época muito alegre para a família. Nós não tivemos incentivo para aprender a língua italiana, o que foi uma falha de nosso pai, que nunca nos ensinou o italiano, portanto foi com as musicas que aprendemos algumas palavras em italiano. Foi em 1945 quando faleceu o nosso pai e então aquela alegria de cantar foi parando ,mas para mim foi bom porque eu fiquei animado com o canto.

 Aos pouco fui tomando gosto pela música e naturalmente pela música italiana porque eu gostava mais, por conta da minha origem italiana. Foi assim que eu passei a conhecer muitas musicas em italiano.

 Quando era garoto eu gostava de copiar as letras de jornais ou as letras de forma, mas aquilo não me ajudou em nada porque quando entrei na escola tive que aprender tudo outra vez com as letras normais .

Estou lembrado quando fui ao médico, porque eu estava muito fraco, e ele me mandou tomar uma injeção na veia. Quando chegou o dia fomos para a farmácia e era a primeira vez que eu ia tomar uma injeção.Quando o farmacêutico preparava a injeção eu ficava com os olhos arregalado de medo, e quando ele espetou a agulha na veia eu cai desmaiado, então naquele dia eu me livrei. Mas eu tinha que tomar aquela injeção e assim precisei voltar naquela farmácia, mas dessa vez o farmacêutico foi mais prudente e mandou que eu virasse a cabeça e não olhasse e assim foi e eu tomei a bendita injeção.

Com o passar do tempo foram nascendo vários sobrinhos . O Carlos tinha dois filhos a Dirce e o Rubens, a Emília tinha duas meninas, a Neide e a Cleide, a Leonor tinha o Luis Antonio e depois vieram muitos sobrinhos e muitas sobrinhas. Naquela época a nossa casa ficava cheia de parentes e tinha um homem que passava com um carrinho de mão e vendia amendoim e sorvete, para nós era um prato cheio, sentávamos no quintal da casa e cada um se regalava porque era só aos domingos que tínhamos aquela regalia .

Minha mãe tinha uma caderneta que o dono do empório marcava todas as compras e quando era no fim do mês ela ia pagar a conta e nós os menores íamos juntos. Quando o dono do empório ou mercadinho terminava de fazer a conta ele recebia o dinheiro então nos dava um punhado de balas .

Quando fazia muito calor à noite, depois da janta, cada um levava uma cadeira ou um banquinho e íamos sentar na calçada em frente à casa e todas as famílias faziam o mesmo para bater um papo.

Naquele tempo só tínhamos o rádio e as novelas passavam durante o dia, e tinha uma novela muito famosa que começava as 9 horas e então quase todos entravam para ouvir a novela. Mas nestes tempos as mulheres tinham uma vantagem: elas não paravam de trabalhar ou fazer o serviço da casa porque era só ouvir as novelas. Ate agora eu estou tentando me lembrar de mais algumas coisas de quando eu era criança.

Quando eu tinha 8 ou 9 anos eu estava me preparando para fazer a 1ª comunhão na igreja católica e eu estava fazendo a preparação no Liceu Coração de Jesus, na Alameda Glete e assim eu assistia as aulas todas as semanas. Mas quando foi para fazer a primeira comunhão, a minha mãe foi falar com o padre porque eu não tinha uma roupa boa para a cerimonia e então o padre me deu uma fardinha igual que usavam os alunos que estudavam no Liceu, e assim eu fui de roupa nova, mas com os sapatos furados. A foto abaixo foi tirada neste dia que eu ganhei a fardinha. Ainda tenho a fotografia de todos juntos com os padres.

Estes foram anos felizes embora sendo muito pobres porque com a falta de brinquedos já prontos, comprados em loja, eu tinha a iniciativa de fazer meus próprios brinquedos como carrinhos de rodas de madeira, pipas ,anéis, lanternas, até jangadas nas épocas de enchentes, tínhamos as festas juninas quando fazíamos nossos balões .

Agora eu vou falar quando os missionários mórmon bateram em nossa porta, um se chamava Ingrans e o outro se chamava Christensen, dois jovens de 20 ano. (Foto abaixo)

Recebemos a primeira palestra sobre a igreja e nos deixaram o Livro de Mórmon com algumas escrituras marcadas, realmente para nós era uma novidade porque nós éramos católicos não praticantes. Eles marcaram um novo dia para voltar e nós aceitamos, mas naquele tempo nós tínhamos nossa casa de Campo Limpo, que era a nossa casa de campo, onde íamos todos fim de semana. Um dia da semana os missionários nos convidaram para uma atividade na igreja, era uma brincadeira que alguns irmãos fizeram, e assim fomos conhecendo alguns membros da igreja. Eles nos visitavam toda semana e nos deram as aulas sobre o Dízimo, sobre a Palavra de Sabedoria, e naturalmente sobre a Primeira Visão do Pai e do Filho, e eles eram muito pacientes conosco mesmo porque nós não estávamos afim de ser batizado.

Mas um dia eles vieram a nossa casa e eu fui preparar uma laranjada para eles, mas eles não aceitaram e eu quis saber o porque e eles me falaram que estavam de jejum. Eu perguntei porque eles faziam isso, e então eles explicaram que era por minha causa. Aquilo bateu fundo na minha mente e no meu coração e me abalou muito, e nós já tínhamos assistido a sacramental que era às 7 da noite. Então nós resolvemos nos batizar , mas queríamos continuar com a nossa casinha de campo, então eu pensei: “Vamos voltar mais cedo e assim dá tempo de ir à Igreja”. E assim foi que num sábado, no dia 18 de junho de 1966 nos batizamos, foi um dia muito especial e sentimos uma grande alegria eu comecei a ter uma bondade muito grande para todas as pessoas.

Nesta foto abaixo estou eu Mário, o irmão Chamarela, o bispo George, o irmão Grasso, o bispo Estanislau e o irmão José Pires. O garoto é o Davi Grasso.

Para mim era difícil porque eu tinha uma oficina de funilaria de carro e eu era um homem natural e muito bruto, então foi uma luta para tirar todos meus pecados. Eu tinha o costume de falar umas palavras feias, e quando eu jogava futebol com os irmãos eu sem querer soltava um palavrão, e então os irmãos ficavam todos olhando para mim. Eu tinha um freguês que era um turco que falava muito palavrão e um dia ele chegou na oficina, e eu falei para ele que tinha sido batizado e agora não podia falar mais palavrões. Ele olhou para mim e disse, de hoje em diante não vou falar mais palavras feias com você, e ele cumpriu a sua palavra nunca mais ele falou palavras feias para mim.

Eu me lembro que nós passamos momentos muito felizes naquela chacrinha em Campo Limpo, quando as meninas estavam de férias da escola elas ficavam com a Vandelisse e eu vinha trabalhar em São Paulo e à tarde eu estava de volta para nossa casa de Campo. Eu lembro que naquele tempo eu tinha uma Kombi 1960 e foi a primeira perua que eu comprei que cabia 10 pessoas. Com o tempo nós fomos fazendo uma amizade com os membros e que os tivemos como verdadeiros irmãos e assim fomos deixando nossa casa de campo um pouco de lado e só íamos às sexta feira à noite e no sábado à tarde estávamos de volta.

E eu estou lembrado que um dia a Igreja entregou a casa alugada e não tinha casa para fazer a sacramental, então ofereci a minha casa e assim foi. Tivemos as aulas e uma reunião de testemunho mas como nós éramos novos na igreja a Vandelisse deixou a porta da cozinha que dava para a sala fechada e enquanto a sacramental era feita na sala ela fazia o molho do macarrão e aquele cheirinho bom exalava por toda a sala, foi muito bom.

Nós tínhamos uma irmã na igreja que se chamava irmã Lotito. Esta irmã tinha uma casa na praia que era na praia das Gaivotas em Itanhaém no litoral sul. Assim nós fomos com uma perua Kombi alugada para a praia, fomos eu, Vandelisse, Marisa, Márcia e avó Maria e levamos a bicicleta das meninas.

Aqui quero lembrar que a casa nos foi emprestada para passarmos o Natal e o primeiro do ano, porém o local era bastante êrmo e não tinha comércio para comprar os alimentos, então o que nos serviu muito foi a bicicleta das meninas que eu usava para fazer as compras.

Eu estou lembrado que o primeiro bispo da Casa Verde da ala 7 foi José Vieira Neto e neste tempo a igreja mudou-se para a rua Antenor Guirlanda, a rua em eu morava , e nesta casa de 100 metros quadrados nós ficamos muitos anos. Fiquei conhecendo muitos lideres importantes de nossa estaca e isto me fortalecia, muitos deles eram muito espirituais, então eu fui me envolvendo e sempre em busca de mais conhecimento, mas eu era um homem natural, muito bruto, e esta lapidação que estava acontecendo era muito lenta, porém eu fui aceitando todos os chamados dentro da igreja e isto foi me ajudando porque esta convivência era muito benéfica para mim .

 Quando entramos na igreja sempre fomos ensinados a fazer o nosso diário, mas a minha escolaridade sempre foi muito fraca, porque eu só estudei o primário, ou seja, 4 anos de estudo, porque eu tinha que trabalhar. Para mim uma caneta era um instrumento difícil, eu era um funileiro de automóvel, e a minha ferramenta era um martelo, maçarico para solda e com o tempo surgiu a massa plástica. E aquele diário que eu deveria fazer desde o começo não foi feito, e agora me faz muita falta e eu tenho que buscar muitas lembranças na minha memória.

Eu me lembro que naquele tempo tinha o campeonato de futebol de salão , e os mais adultos podiam jogar e então Casa Verde era quem jogava, eu, George, Evandro, Mário, Sugiyama. Não me lembro dos outros jogadores, e nós fomos jogando nas alas da zona norte , e fomos eliminando todos os times, e finalmente fomos para as finais em Pinheiros e então jogamos com Santo Amaro e vencemos, e o último jogo era com os donos da casa, que era a ala de Pinheiros.

Quero lembrar que no jogo com Vila Maria o bispo Pires me deu uma cabeçada que me abriu a testa acima do olho direito e eu levei 8 pontos é claro que foi sem querer . Passei aquela semana inteira com aquele curativo, quando foi no sábado eu fui para Pinheiros para tirar os pontos. A clínica era perto da capela aonde estavam jogando as finais do campeonato e eu passei por lá só para ver a final , mas quando lá cheguei estava faltando um jogador para completar o time e eles pediram para que eu jogar, porém eu estava com o curativo na cabeça, mesmo assim eu entrei em campo e fomos os campeões .

Mesmo assim eu tinha muito para aprender porque na realidade eu era um homem natural, e também tinha que mudar as minhas atitudes, e assim eu me esforçava em me tornar mais espiritual , mas eu estava muito animado e eu falava com todas as pessoas sobre a igreja eu sentia a vontade de ajudar qualquer pessoa que eu via em dificuldade .

Quando viajava qualquer carro parado na estrada eu parava para socorrer, estas eram as minhas atitudes sempre com o desejo de ajudar alguém. Eu mesmo estava impressionado com essa transformação em minhas atitudes. Jamais eu tinha sentido esse sentimento espiritual em minha vida, e assim foi-se  lapidando este homem natural, que sem duvida alguma era eu.

Mas voltando à minha família, nesta época Marisa e Márcia já estavam mocinhas e Marisa quis aprender violão e Márcia nós colocamos para estudar piano. Foi a Márcia que perseverou e logo estava tocando algumas musicas no órgão da igreja aonde ela treinava.

Passado um ano a professora nos chamou e disse que a Márcia tinha jeito para a musica só que ela devia ter um piano para treinar, então começamos a pensar como comprar um piano o que fazer.

Eu tinha naquela época uma femea de pastor alemão e a única maneira seria ter uma cria dela porque ela era legitima e tinha todos documentos em ordem, e assim fizemos encontramos um macho legitimo e levamos para cruzar .

A cachorra chamava-se Selene e ela teve 6 filhotes mas o dono do macho tinha direito a 1 filhote e assim ficamos com 5 filhotes. Eu fiz tudo legalizado com documentos com as vacinas para ser legitimo para ter valor e assim consegui vender a mil cruzeiros cada um. O piano custava 8 mil cruzeiros eu dei 5 mil e o resto fiz à prestação e assim compramos o piano. E foi muito bom porque a Márcia aprendia mais rápido a tocar.

As meninas já estavam mocinhas e logo a Marisa falou do Marcelo Silveira para nós, mas ele ainda ia fazer missão, mesmo assim ele veio em casa e pediu para namorar a Marisa e nós consentimos.

E os 2 anos de missão do Marcelo passaram rápido, e assim que ele voltou já começou a falar em casamento e começamos a fazer os preparativos , e eu lembro que nós passamos um fim de semana em Campo Limpo e o Marcelo foi junto, naturalmente na casa de campo sempre tinha alguma coisa para fazer e nestes dias tínhamos um pequeno telhado para fazer da área da casa e o Marcelo ajudou bastante.

Então começamos a procurar uma casa grande porque eles queriam morar conosco e assim encontramos um apartamento na rua Urbano Duarte no mesmo bairro aonde morávamos. Era muito bom tinha 3 quartos, sala, cozinha e 2 banheiros. Estávamos nos oito andar e tinha uma vista muito bonita.

E assim no dia 18 de Março de 1978 eu e Vandelisse casamos nossa primeira filha Marisa com o Marcelo, o casamento foi realizado na capela do Caxingui. Não demorou muito e logo Marisa estava grávida, eu e Vandelisse ficamos alegres por saber que íamos ser avós tão jovens, e estávamos ansiosos esperando o nascimento de nosso neto. E logo viemos saber que era um menino e os nove meses passaram depressa e quando foi dia 11 de abril de 1979 nasceu o André Buono Silveira, este é nosso neto que nasceu para nos alegrar, tanto os pais como os avós.

(Estes escritos podem não estar em no seus exatos lugares, por causa de minha memória que está falha.)

E neste tempo eu estava tentando vender a nossa casa de campo de Campo Limpo, porque nós não tínhamos casa em São Paulo e pagávamos aluguel.

Ate que um dia encontrei uma pessoa que se interessou pela casa, marcamos um sábado e fomos até Campo Limpo, ele ficou animado e gostou e fechamos o negócio que ficou por 700 mil cruzeiros. Ele deu 200 mil e pagou o resto à prestação .

Quando recebemos a entrada de 200 mil eu falei para a Vandelisse que agora poderíamos procurar uma casa para comprar, e assim começamos a visitar algumas imobiliária e elas começaram a nos levar para ver algumas casas porem nós queríamos ficar na Casa Verde . Mas todas as casas que íamos visitar não agradavam até que um vendedor nos falou de uma casa em Santana, e ele nos levou sem compromisso, não era o nosso gosto mudar de bairro .

E nós fomos para Santana não muito animados mas quando chegamos no local era um sobradinho com 2 dormitório sala cozinha e banheiro e nos fundos tinha mais um quarto e banheiro e naturalmente a parte de lavanderia, e também a garage para 2 carros. Mas quando fomos falar com a dona da casa ela nos pediu 300 mil de entrada e ai nós ficamos triste porque nós só tínhamos 200 mil na mão e fomos embora.

E então quando chegamos em casa eu disse a Vandelisse nós não fizemos a nossa oferta e assim voltamos para Santana e quando chegamos de volta sem muita animação fizemos a oferta para a mulher, e qual foi nosso espanto a mulher aceitou os 200 de entrada e o restante pagamos em prestação, mas para nós foi fácil porque nós tínhamos o pagamento das prestações da venda de Campo Limpo e assim ficou mais fácil os pagamentos .

Assim que a mulher nos entregou a casa vazia fizemos uma pequena reforma e logo nos mudamos para o Mandaqui, Santana.

Mas como eu trabalhei mais de 50 anos de funileiro eu comecei a ficar surdo , consultei um médico e ele mandou parar imediatamente com oficio de funileiro. Foi nesta época que fui convidado pelo irmão Alcides para trabalhar na construção de capelas da Igreja e fui mandado para Guarulhos para começar a primeira capela daquela cidade, fiquei 2 anos trabalhando naquela construção até ficar pronta, e depois de inaugurada fui chamado ao escritório e fui informado que os fiscais de obra foram todos dispensados.

Nesta época eu comprei uma borracharia do irmão do Marcelo, perto do Templo de São Paulo, e lá fui eu aprender a ser um borracheiro.

E nesta época o Marcelo e a Márcia trabalhavam no escritório da Igreja e nos íamos juntos para o trabalho porque a borracharia era perto do Templo e do escritório da igreja, já neste tempo eu não estava feliz neste trabalho e tinha uma vizinha que tinha 2 peruas escolares. Fui conversar com ela para saber se ela vendia uma das perua com o ponto ou com a freguesia ,ela estava a fim de vender então eu ofereci uma Brasília que eu tinha e o restante a prazo, e assim fiz o negocio a perua era uma Kombi 76, fiz todos os documentos necessários passei as vistorias da KOMBI e comecei a trabalhar.

A escola tinha três turnos mas eu só fazia 2 turnos e eu lembro que eu fiquei nesta escola uns dois anos, era nos Bancários mas tive que curtir a minha paciência para poder lidar com as crianças, fiquei nesta escola um bom tempo quando surgiu uma oportunidade de comprar outro ponto que era mais no centro de Santana a escola era só de crianças de 2 a 5 anos, mas nesta escola a Vandelisse tinha que ajudar porque era obrigatório ter uma acompanhante e foi um serviço muito bom porque eu e a Vandelisse passamos todos aqueles anos trabalhando juntos e a minha companheira era que tomava conta das finanças e logo comprei uma perua KOMBI 88 e a perua estava nova. Neste tempo a Márcia estava namorando o PAULO MACHADO e não demorou muito eles queriam casar-se .

E começamos a fazer os preparativos para o casamento e foi no dia 30 -10- 1981 que estava marcado para o casamento . e neste dia Márcia,Marisa,Vandelisse foram passar pelo salão de beleza e neste dia foi muito corrido para preparar tudo. E quando foi a noite fomos para a capela do BOSQUE DA SAUDE e as 20 horas eu entrei com a Márcia na capela e ela se tornou Márcia Buono MACHADO.  E novamente veio a minha mente aquele sentimento feliz por ter levado mais uma filha para uma grande benção em sua vida.

Nós estávamos no ano de 1986 quando o Marcelo resolveu comprar um terreno na praia e justamente na praia das GAIVOTAS aonde estávamos habituados a ficar em nossas férias na casa da irmã LOTITO. E assim foi feito encontramos um terreno a 3 quadras da praia, e logo nos indicaram um empreiteiro de obras que logo começou a construção , e era tanta o nosso desejo de ver a casa pronta que todos os sábados eu e o Marcelo estávamos la para ver a construção

No dia 11 de AGOSTO de 1982 as 3 horas da madrugada Marisa começou a sentir as dores do parto, logo Vandelisse, Marcelo e Marisa fomos para o hospital SANTA HELENA na LIBERDADE,eu fiquei com o ANDRE dormindo, e quando era 6 horas o Marcelo veio nos buscar para ir ao hospital e quando foi as 8 horas da manhã nasceu a RAQUEL uma linda menina que muito nos alegrou.

No dia 7 de FEVEREIRO de 1984 nós começamos uma reforma em nossa casa, porque a família estava crescendo já tínhamos o ANDRE a RAQUEL e a Marisa estava esperando outro filho.

E foi no 1 de MAIO de 1984 logo após a partida do Marcelo para os ESTADOS UNIDOS, a Marisa que estava gravida de 5 meses começou a ter problema com sua saúde, foi medicada mas ela estava piorando e ela estava cada vez pior, neste meio tempo o Marcelo estava de volta e foram para o hospital SANTA HELENA e ela ficou internada para ser medicada, e passado 2 dias fomos informados que a menina estava morta, na sesta feira foi retirado o nenê, e no mesmo dia ela fui sepultada no cemitério da CACHOERINHA ao lado do seu BISAVO ANTONIO RIBEIRO DE ANDRADE.  

Nesta oportunidade eu quero fazer uma homenagem a minha esposa Vandelisse ,minha esposa e mãe de minhas filhas. Ela tem sido minha força e meu apoio para lutar por nossos objetivos, ela tem suportado todo meu mau gênio e tem me ajudado a melhorar a cada dia.

A nossa vida tem sido muito boa depois que aceitamos o evangelho, estamos muito felizes em nossa casa porque deu para abrigar a todos e logo compramos um telefone e com esta benção pudemos melhorar a nossa vida.

 Nossa situação financeira melhorou porque compramos um carro usado, o Marcelo estavam trabalhando nos escritórios da igreja e eu também estava trabalhando em GUARULHOS na construção da capela.

E MARÇIA demorou 5 anos para ter a primeira filha e quando foi em 13 de AGOSTO de 1986 nasceu a ANELISSE uma menina muito bonita e como chorava.

Hoje estamos mo ano de 1988 e neste dia aos 28 de outubro nasceu ALINE para alegrar mais esta família. foi nestes tempos que trocamos nossa casa com a casa da Márcia que era bem maior do que o nosso sobradinho, e assim fomos morar na rua UMBERTO BOCIONI 75 ao lado dos BANCARIOS em Santana. E foi nesta casa que sempre podíamos reunir toda a família para os almoços e festinhas de aniversários de nossos netos, e assim por muitos anos nesta casa foi o nosso lar com muita alegria com nossas filhas os genros e os netos, eu até plantei 3 arvores de laranja e uma arvore de Pitanga porque era o gosto de Vandelisse.

Mas quando foi em 1993 uma noticia triste aconteceu Vandelisse estava doente do útero, foi operada do tumor e parecia que estava tudo bem , mas depois de uns tempos voltou novamente, mesmo assim fizemos uma viajem em 1994 para os ESTADOS UNIDOS, foi uma viagem maravilhosa fomos eu Vandelisse ,Márcia , PAULINHO

E agora não me lembro o ano fizemos outro passeio para a DISNEI ,esta vez foi toda a família e passamos 10 dias viajando, e quando estávamos em 1996 a Vandelisse parecia que estava curada, e chegou o fim do ano fomos todos para a praia e a Vandelisse estava disposta e trabalhou muito para o NATAL e ANO NOVO, mas começou uma dorzinha em seu útero e não passava com remédio e voltamos para SÃO PAULO, logo fomos para o hospital e depois de examinar detalhadamente nos deram a noticia que ela tinha só 4 mês de vida, mesmo assim lutamos até os últimos dias mas não pudemos salvar a minha querida esposa , e foi no dia 22 de ABRIL de 1997 as 9 horas ela faleceu.

Foi muito triste para toda a família e para mim porque foram 40 anos de vida juntos, tivemos nossas filhas, netas o neto que nos deram muitas alegrias para o nosso lar ela queria viver para desfrutar de uma vida em família, todas as coisas que fazíamos era pensando na família. Para mim foi um desastre Vandelisse era meu amparo, porque depois de sua morte eu fazia muitas coisas erradas eu já não tinha seus conselhos sábios, e depois 40 anos de casado que eu não tinha mais a sua ajuda. Mas ainda assim voltei a trabalhar no templo como selador.

Mas passado alguns anos eu tinha o desejo de ter uma companheira , e fiquei conhecendo algumas mulheres mas não me agradou nem uma , e neste tempo comecei a viajar para o litoral em nossa casa da praia .

E eu ficava alguns dias e voltava e aos poucos fui ficando por mais dias porque tinha muito para fazer naquela casa, tinha pintura, tinha uma calçada muito grande porque a casa era de esquina e tinha 10 metros por 25 de fundo e quando a prefeitura pavimentou a rua fomos intimado a fazer a calçada.

E assim eu comecei a fazer a calçada e fui fazendo aos poucos porque era muito grande tinha uns 3metros de largura, também fiz 4 floreira para plantar algumas arvores para fazer sombra. A nossa casa tinha 3 quartos uma sala bem grande e cozinha, e nos fundos tinha uma edícula com 1 quarto e banheiro e lavanderia. A casa também tinha uma boa área ou varanda na frente e dos lados aonde tínhamos umas cadeiras de preguiça para repousar.

Eu frequentava a igreja de ITANHAEM eu já conhecia a muito tempo, conheci varias irmãs mas continuava viúvo o tempo foi passando eu já estava no litoral já fazia quase dois anos.

Mas um dia eu estava em SÃO PAULO na igreja em Santana, encontrei o irmão PADOVANI e ele me falou sobre a mãe dele que estava morando em ITANHAEM.

Então ele me pediu para visitar a família porque alas eram membros da igreja ele me deu o endereço, e eu quando voltei para o litoral dai uns dias fui fazer a visita. E então conversando com a mãe dele irmã TERESA me lembrei da VERA que nós a conhecíamos do tempo que ela frequentava a igreja em Santana, então perguntei a ela sobre a VERA, então ela falou que ela estava viúva

E eu disse a ela quando podia vela ela me informou que ela estaria no litoral no domingo porque era o aniversario de dona TERESA, eu lembrava dela porque ela chegou ate a visitar a nossa casa e segurava a minha neta RAQUEL nos braços.

Quando foi no domingo eu fui a igreja e la estava a VERA muito simpática e bem bonita, começamos a conversar e ela me apresentou a filha a NATACHA, e eu fui convidado para almoçar na casa da mãe dela, foi uma surpresa para mim porque la estavam os 7 irmãos dela foram todos muito alegres e eu me senti muito bem entre eles. Depois do almoço saímos para dar uma volta e eu perguntei a ela se eu tinha alguma possibilidade de namorar , ela disse que sim.

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Podemos contar com as suas lembranças?